DITAR-DOR
Vamos diminuir as coisas para simplificar, tudo que é muito grande tem
tendência a despencar, só não vamos encurtar vida, esta é para se eternizar.
Deixemos de lado grandes produções, bastam pequenos cenários para as melhores realizações.
A mania de achar que somos gigantes, que tudo podemos em nome da vontade, não
passa de vaidade, somos seres circunstantes, a grandeza está para nós como os
ruminantes.
Pompa e glória, qual o quê? Tudo história, a maior vitória é pão na mesa, teto aquecido,
cérebro nutrido e corpo ativo, todo o resto é consequência, que cada um invista na sua independência.
Assistencialismo é o mesmo que autoritarismo, eu te dou, mas tu me deves e o juro desta dívida,
meus amigos, é impagável, vendes a alma ao coronelismo.
Cesta básica, salário família? Que embuste! Perfumaria! Será que não percebem que
isto automatiza e anestesia?
O povo não é alienado nem cego, é acomodado e nunca como antes, reparem, tão convenientemente, o que será
de toda gente quando este poder vigente tomar conta finalmente?
O que me espanta é que o horizonte está claro, não é paranóia, ergue-se neste País uma muralha,
guetos estão por vir, o sol continuará nascendo todo dia, mas seu brilho não será o mesmo e o calor
que emanar acenderá o charuto aqui, já que o de lá está se apagando.
Ditar-dor é o que veremos escrito pela fumaça exalada e por nós inspirada, eleita e acolhida.
É o que me parece...e assusta.
nêssa Gentile
*Este texto foi publicado no site
Armazém Literário, pouco antes da eleição de 2006, na qual
Lula foi reeleito como Presidente do Brasil e bem antes de termos qualquer indício de mensalão e etc.